A afetividade na educação infantil é um assunto que trata do interesse de todos: pais, professores, pedagogos, profissionais de educação. A pesquisa em andamento, aqui desenvolvida em seus aspectos iniciais, auxiliará na compreensão dos transtornos que a falta de afeto pode ocasionar em nossas vidas.
O tema pesquisado chama a atenção e o interesse, quando nos deparamos com situações em que são notórios vários distúrbios em pessoas que “aparentemente” não apresentam motivos para determinadas atitudes.
FAMILIA
No decorrer do trabalho enfatizaremos os problemas causados pela falta de afeto além de citarmos também a importância do ato afetivo nas relações familiares.
“A afetividade é o elemento nuclear e definidor da união familiar, onde a finalidade mais relevante da família é a realização da afetividade pela pessoa num grupo familiar, num humanismo que só se constrói na solidariedade com o outro, a função afetiva a unifica e a estabiliza, onde o respeito, a liberdade e a igualdade são práticas constantes”. (NOGUEIRA, 2001, p. 54)
A pesquisa tem como objetivo geral: Apresentar de maneira clara e objetiva os possíveis problemas ocasionados pela falta de afetividade. E objetivos específicos: Oferecer orientações sobre a necessidade de envolvimento afetivo desde a concepção; Esclarecer com dados teóricos que a afetividade vai além do contato físico; Demonstrar a relevância do afeto na formação psicológica do indivíduo.
A relação afetiva é uma condição para o desenvolvimento do ser humano saudável. O problema central que norteou a pesquisa que esta em andamento foi: A presença ou a ausência do afeto determina a forma com que o indivíduo se desenvolverá?
Já ao nascer o sujeito humano nasce dentro de uma troca afetiva, onde mãe, pai, irmãos, constelação familiar entra no processo do jogo afetivo com o bebê. Os fatos, acontecimento vividos por nós durante toda a vida são representações, vivencias, reações e sentimentos, experiências que passam a fazer parte de nossa consciência, sempre teremos lembranças sendo elas agradáveis ou não, prazerosas ou não.
Tem-se então que desde que nasce o bebê está cercado de pessoas. Através de seu relacionamento afetivo com essas pessoas, é que ele vai estabelecendo as bases para o seu comportamento social, ou seja, vai adquirindo hábitos, valores e crenças que existem no seu grupo. Assim desde muito cedo, a criança inicia seu processo de socialização. Esse processo é caracterizado pela relação de afeto que estabelece com sua mãe ou com a pessoa que cuida dele.
Para Henry Wallon (APUD: Galvão, 2008) a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto para a construção da pessoa quanto para o conhecimento. Pois não satisfaz as necessidades básicas, mas sim a construção de novas relações sociais, a emoção e a inteligência são fundamentais no processo do desenvolvimento.
Vivemos numa sociedade que está clamando pela paz, pela igualdade de direitos e oportunidade entre os sexos, entre os diversos grupos étnicos e religiosos, pelo desenvolvimento da afetividade e do respeito mútuo, que permita melhor as relações interpessoais por uma vida mais saudável.
A convivência das pessoas do grupo e o contato com diferentes grupos sociais possibilita a construção do auto-conceito da pessoa. Através do auto-conceito a pessoa reflete suas ações e a forma como é percebida e tratada pelas outras pessoas.
A convivência em diferentes grupos que contribuem com a formação das pessoas. Por isso nas relações interpessoais, as pessoas que se sentem inferiores ou discriminadas, acabam se tornando hostis ou indiferentes, já as que se sentem acolhidas se sentem confiantes e otimistas para enfrentar os desafios, são alegres e determinadas. A qualidade das interações ocorridas no grupo é que poderá levar a pessoa ao desenvolvimento de suas capacidades, sejam elas cognitivas ou afetivas.
Afetividade segundo o dicionário e o conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos, paixões acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza. A palavra afeto vem do latim affectur (afeto, afeto) e constitui o elemento básico da afetividade. A afetividade é necessária na formação de pessoas felizes, éticas, seguras e capazes de conviver com o mundo que as cerca.
Henri Wallon traz a dimensão afetiva como ponto extremamente importante em sua teoria psicogenética. Apresenta a distinção entre afetividade e emoção. Galvão (2008) busca o olhar para esta controvérsia na obra de Wallon. As emoções, assim como os sentimentos e os desejos, são manifestações da vida afetiva. Na linguagem comum costuma-se substituir emoção por afetividade, tratando os termos como sinônimos. Todavia, não o são. A afetividade é um conceito mais abrangente no qual se inserem várias manifestações.
De acordo com Taille (1992): “A Afetividade seria a energia que move a ação, enquanto a razão seria o que possibilitaria ao sujeito identificar desejos, sentimentos variados, e obter êxito nas ações”. Existente desde o surgimento da humanidade, quando os homens das mulheres para fazer neles carinho e realizar tratamentos (quando machucados ou doentes) e também quando as crianças estavam carentes.
A afetividade mostra-se de suma importância na relação familiar, tendo significado determinante no desenvolvimento principalmente da criança, resultando positiva ou negativamente.
.Novaes (1984) diz que a carência afetiva determina uma série de fatores que prejudicam o desenvolvimento global da criança, tanto no âmbito físico como psíquico. Essa carência pode ser identificada pela incapacidade do indivíduo em manter trocas afetivas normais com outros seres humanos. Segundo ela, esses sintomas diagnosticados na escola é conseqüência de um descontrole na relação mãe-filho, pois tanto a carência como o excessivo cuidado pode acarretar problemas emocionais graves na criança pequena.
A importância dos laços afetivos na família
O ser humano nasce de uma família onde cresce e se desenvolve. A família por sua vez, só existe na convivência dos membros que a constituem, convivência esta que deve ser harmoniosa, em um ambiente de muita comunicação e diálogo. Dessa forma pode-se dizer que há uma intercomplementeridade. É no seio da família que se estabelece a convivência de um amor que aquece os corações. Embora inter relacionados e integrados, cada ser humano, membro de uma família, não se confunde e precisa ser considerado como um ser único, com suas particularidades. Diz-se que cada membro da família precisa ter o seu “movimento” próprio, ao mesmo tempo em que interage com os outros; porém, o seu “movimento” não pode se confundir.
É próprio do ser humano estabelecer seus projetos de vida, sendo que um dos mais importantes é o relacionamento homem/mulher. A união entre duas pessoas de sexos opostos vem atravessando os séculos. Embora com características ás vezes diferenciadas, a união, pelo casamento, ainda é muito desejada pelas pessoas.
Após essa união iniciam-se outros projetos de vida e, embora felizes no decorrer do tempo, o casal começa sentir a necessidade de contemplar essa relação com a presença de mais uma pessoa – um filho. Isso demonstra que o casal já está sentido segurança suficiente para dividir com mais alguém o amor e o afeto que até agora existia somente entre os dois.
Vara diz sobre a familia: “(...) a família constitui o primeiro, o mais fundante e o mais importante grupo social de toda a pessoa, bem como o seu quadro de referência, estabelecido através das relações e identificações que a criança criou durante o desenvolvimento” (VARA, 1996; p. 8).
Como a criança está ligada á mãe pelo cordão umbilical, qualquer situação de ansiedade, nervosismo, depressão e outras, são transmitidas quimicamente pelos hormônios. Com os avanços tecnológicos da medicina, sabe-se hoje que a partir do segundo mês de gestação o bebê já reage aos estímulos hormonais. Além dos estímulos químicos, a partir do 4° mês o bebê já apresenta os sentidos desenvolvidos. Portanto, cada toque carinhoso na “barriga” da mãe é absorvido e incorporado pelo bebê. Todo esse carinho é fundamental para a auto-estima e formação de sua personalidade.
Para Maldonado (2000) o puerpério, assim como a gravidez, é um período bastante vulnerável à ocorrência de crises, devido às profundas mudanças intra e interpessoais desencadeadas pelo parto.
A criança não recebe de seus pais apenas herança biológica. A forma como é tratada tem, grande significação, bem como o modelo de comportamento que lhe é oferecido.Os padrões de conduta e atitude, apresentados pelos pais ou pelas pessoas que a cercam, são absorvidos, e consequentemente, influenciarão no seu relacionamento social e no modo de conceber o mundo.
Tipos de afeto
O domínio da afetividade vai desde a sensibilidade corporal, física, interna e externa, incluindo as sensações corpóreas dos órgãos internos e a sensibilidade táctil, até a interpretação subjetiva das vivencias, conscientes ou inconscientes, e depende das características pessoais do humor e do temperamento. A afetividade influencia e é influenciada pela percepção, memória, pensamento, vontade e inteligência, sendo na verdade o componente essencial de equilíbrio e harmonia da personalidade.
Os afetos se dão em quatro tipos fundamentais: Corporais; Vitais; Anímicos; Espirituais. Os afetos Corporais e Vitais estão ligados a corporalidade. Os afetos Anímicos e Espirituais são exclusivamente intrapsíquicos.
Afetos Corporais e Vitais
São estados afetivos dotados ou não de intencionalidade e têm relação com as reações psicobiológicas e psicossociais.
Corporais Relativos à qualidade e quantidade de estímulos e respostas.
Vitais Relativos à sobrevivência.
Sentimentos Anímicos e Espirituais
São estados afetivos psicoespirituais dotados de intencionalidade e tem relação com o mundo de valores. Ocorrem quando o objeto em questão é um veículo de valor, positivo ou negativo.
Anímicos Relativos a qualidade do Eu.
Espirituais Relativos aos valores estéticos, éticos, morais e intelectuais.
Como pode ser observado pelo exposto acima, o afeto é muito importante na formação do sujeito humano, e na educação ele está implícito no processo, neste sentido, Quadros (2010) diz:
É interessante pensar que independente da linha de trabalho tomada pelo professor, seja ela humanista, histórico crítica, aprendizagem social, tecnicista; há sempre um elo, um liame entre o que se ensina ou o que se quer ensinar aos alunos e a questão afetiva que também permeia a relação dos professores com seus alunos. Existe sempre o desejo de que o aluno aprenda aquilo que o professor quer que ele aprenda, pois o professor pensa que isso venha a ser importante no decorrer de sua vida adulta ou profissional, tem-se então nesse jogo de ensino aprendizagem uma situação ligada ao desejo, o desejo do professor que virá a instituir a aprendizagem; se este desejo será realizado ou não, provavelmente estará vinculado à sua competência (Quadros, 2010, p. 18).
REFERÊNCIAS
GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis. Ed. Vozes, 2008.
TAILLE, Yves de Oliveira, Marta Kohi e Dantas. Piaget, Vygotsky e Wallon:Teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Sumus, 1992.
NOVAES, M. H. Psicologia Escolar. 8 ed. Rio de Janeiro: Vozes. 1984.
NOGUEIRA, Jaqueline Figueiras. Afiliação que se constrói o reconhecimento do afeto como valor jurídico. São Paulo; Memorial Jurídico, 2001.
MALDONADO, Maria Teresa. Psicologia da Gravidez. Petrópolis: Editora Vozes, 7° ed., 2000.
QUADROS, Emérico Arnaldo. A afetividade no relacionamento professor aluno. Trabalho apresentado na 7ª semana pedagógica – Entre a educação e a inclusão e I Encontro de Psicologia e Educação: Implicações no processo de ensino aprendizagem (realizado pelo departamento de Educação da Fafipar, Paranaguá. .ISSN 2177-546X), 2010.
DAIANE BORBA DOS SANTOS
TANIA MARA SIQUEIRA
EMÉRICO ARNALDO DE QUADROS

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